RIO BOA VISTA: DESTRUIÇÃO DA MATA CILIAR
Ao olharmos
para o percurso por onde segue
um rio esperamos presenciar um leito margeado por uma vegetação
verde e densa, já que o clima úmido
característico do tipo de ambiente deve favorecer a formação de
uma vegetação específica que em contra partida contribui para a
preservação do rio. Porém nem sempre é o que se vê, é comum ver
rios e riachos com as margens desmatadas e desgastadas.
O Rio Boa
Vista é um rio pequeno e temporário que nasce na Serra do Araripe
próximo da divisa com o estado do Pernambuco, o início de seu curso
passa na sede do município de Simões-PI e segue numa extensão de
aproximadamente 35 km do município no sentido de Massapê do
Piauí-PI e outros municípios piauienses.
No Rio Boa
Vista, especificamente no trecho do Sítio Volta, é possível
perceber uma relativa destruição da mata ciliar e várias
consequências dela advindas. Em alguns pontos foi desmatado até nas
proximidades do Rio, em outros até descobrir totalmente as margens.
Essa prática é feita principalmente para a plantação e criação
de pastagem, tendo em vista que nas proximidades de rios e riachos
nos chamados “baixios” o solo é mais fértil. O desmatamento
para esse fim constitui o principal responsável pela destruição da
vegetação ribeirinha, mas anteriormente, as vezes, era tirado
madeira para cercar as cacimbas e feitos tijolos em locais bem
próximos ao Rio.
Nos trechos
onde não foram feitos recentemente desmatamento e queimada, a
vegetação está aberta em decorrência de alguns fatores como a
presença de animais que procuram se alimentar desses vegetais,
especialmente vegetais de menor porte, impedindo que nasçam e
cresçam.
As
principais consequências decorrentes da falta de cobertura vegetal
são o assoreamento, diminuição da água e dispersão da fauna. É
possível ver gradativamente o aumento da largura do rio e diminuição
da profundidade devido o transporte de detritos para o leito e o
desgaste das ribanceiras. Os chamados “poços”, onde ficava água
um bom tempo durante a estiagem, estão “entupindo” e a água
secando cada vez mais rápido. Pessoas relatam que num passado bem
próximo esses “poços” permaneciam com água praticamente de um
período chuvoso ao outro (maio a novembro); agora, pouco depois da
metade do ano já é necessário cavar bebedouro para os animais, de
forma que o rio, que e era a principal fonte de água para o consumo
humano e animal, está sendo substituído por outras fontes como
cisternas, poço cacimbão e poço artesiano.
Há pouco
tempo atrás se via uma quantidade e diversidade muito grande de
pássaros freqüentando e/ou habitando a vegetação próxima do Rio,
durante o dia inteiro a presença era notada pelo voo e canto
intensos; hoje os mais observadores percebem o quanto mudou, poucos
pássaros ali se vê, como em qualquer outro lugar da caatinga.
A
alternativa mais real é o reflorestamento das áreas desmatadas e
também a conscientização das pessoas da importância de manter
preservada a proximidade do Rio, no sentido de evitar a erosão e
assoreamento, desvio do curso das águas, desequilíbrio ecológico e
impedir maiores consequências para o próprio homem e demais seres
vivos que do Rio depende.



