sexta-feira, 21 de setembro de 2012

RIO BOA VISTA: DESTRUIÇÃO DA MATA CILIAR

Ao olharmos para o percurso por onde segue um rio esperamos presenciar um leito margeado por uma vegetação verde e densa, já que o clima úmido característico do tipo de ambiente deve favorecer a formação de uma vegetação específica que em contra partida contribui para a preservação do rio. Porém nem sempre é o que se vê, é comum ver rios e riachos com as margens desmatadas e desgastadas.
O Rio Boa Vista é um rio pequeno e temporário que nasce na Serra do Araripe próximo da divisa com o estado do Pernambuco, o início de seu curso passa na sede do município de Simões-PI e segue numa extensão de aproximadamente 35 km do município no sentido de Massapê do Piauí-PI e outros municípios piauienses.
No Rio Boa Vista, especificamente no trecho do Sítio Volta, é possível perceber uma relativa destruição da mata ciliar e várias consequências dela advindas. Em alguns pontos foi desmatado até nas proximidades do Rio, em outros até descobrir totalmente as margens. Essa prática é feita principalmente para a plantação e criação de pastagem, tendo em vista que nas proximidades de rios e riachos nos chamados “baixios” o solo é mais fértil. O desmatamento para esse fim constitui o principal responsável pela destruição da vegetação ribeirinha, mas anteriormente, as vezes, era tirado madeira para cercar as cacimbas e feitos tijolos em locais bem próximos ao Rio.
Nos trechos onde não foram feitos recentemente desmatamento e queimada, a vegetação está aberta em decorrência de alguns fatores como a presença de animais que procuram se alimentar desses vegetais, especialmente vegetais de menor porte, impedindo que nasçam e cresçam.
As principais consequências decorrentes da falta de cobertura vegetal são o assoreamento, diminuição da água e dispersão da fauna. É possível ver gradativamente o aumento da largura do rio e diminuição da profundidade devido o transporte de detritos para o leito e o desgaste das ribanceiras. Os chamados “poços”, onde ficava água um bom tempo durante a estiagem, estão “entupindo” e a água secando cada vez mais rápido. Pessoas relatam que num passado bem próximo esses “poços” permaneciam com água praticamente de um período chuvoso ao outro (maio a novembro); agora, pouco depois da metade do ano já é necessário cavar bebedouro para os animais, de forma que o rio, que e era a principal fonte de água para o consumo humano e animal, está sendo substituído por outras fontes como cisternas, poço cacimbão e poço artesiano.
Há pouco tempo atrás se via uma quantidade e diversidade muito grande de pássaros freqüentando e/ou habitando a vegetação próxima do Rio, durante o dia inteiro a presença era notada pelo voo e canto intensos; hoje os mais observadores percebem o quanto mudou, poucos pássaros ali se vê, como em qualquer outro lugar da caatinga.
A alternativa mais real é o reflorestamento das áreas desmatadas e também a conscientização das pessoas da importância de manter preservada a proximidade do Rio, no sentido de evitar a erosão e assoreamento, desvio do curso das águas, desequilíbrio ecológico e impedir maiores consequências para o próprio homem e demais seres vivos que do Rio depende.




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